"Além de um painel multo bem construído, Valsa para Bruno Stein conta uma história de amor das mais fascinantes e é justamente nesses momentos da narrativa que mais se mostra o talento de Charles Kiefer."Deonísio da Silva
(Jornal da Tarde, SP)
Charles Kiefer (Três de Maio, 1958) é um dos mais representativos escritores gaúcho. Por seus mais de trinta livros editados já recebeu diversos prêmios, entre eles o Jabuti de Literatura em 1985 pela obra O pêndulo do relógio e, em 1993, recebe mais dois prêmios Jabuti, agora por seus contos.A obra de Kiefer tem um forte apelo visual o que possibilita ótimas adaptações para o cienema. O diretor Paulo Nascimento já produziu dois filmes sobre seus textos: O chapeu e Dedos de pianista. Agora, o mesmo diretor, leva às telas do cinema o mais encantador romance de Kiefer – Valsa para Bruno Stein. O romance é intimista e cheio de tensões dramáticas, perpassado por um certo lirismo e melancolia. O clima do texto foi muito bem transposto para tela, trazendo ao leitor uma perspectiva humanista e solidária.
Bruno Stein, um imigrante alemão, vive com sua família numa bucólica localidade interiorana. Introspectivo e sem perspectivas de vida, bruno torna-se uma pessoa solitária e desesperançada. O filho Luís, caminhoneiro, passa grande parte do tempo fora o que possibilita um edílio de Bruno com a nora, Valéria. Luís e Valéria têm quatro filhas: Sandra, Luíza, Eunice e Verônica. Os conflitos entre Bruno, o filho e as netas revela o choque entre três gerações. A tensão na vida dele torna-se insuportável, até que um novo empregado, Gabriel, surge em sua olaria que recupera a alegria de vida para Bruno. O enredo simples permite trazer para o centro da observação do leitor os aspectos dramáticos que o texto encerra.
Segundo o diretor, Paulo Nascimento, o filme aborda “paixões proibidas e a solidão humana”. Sobre a filmagem, acrescenta ele: "Filmamos durante três semanas em um lugar afastado de tudo, o que permitiu uma imersão total dos atores na história". O local da filmagem foi o interior da cidade de Caçapava, no parque das Guaritas. A paisagem torna-se personagem na medida em que a amplidão dos campos contrasta com as pedras presentes no local. A presença de formações rochosas tem valor simbólico no romance e no filme, pois não se pode esquecer que “stein” em alemão significa pedra, rocha o que integra a paisagem à própria formação da personagem.É um filme poético, tanto pelos cenários como pelo clima de relacionamento dentre as personagens, no qual predomina o olhar e não os diálogos. Apesar de ter sido produzido em apenas três semanas, é um filme perfeito e já vem chamando a atenção da crítica.
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Charles Kiefer – Site do autor
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