sábado, 17 de janeiro de 2009

As escolas são permanentes, os administradores passageiros.


Exerci função docente no Ensino Fundamental e Médio desde 1968. No início da década de 70, ainda novo no magistério, conversei com um colega já com tempo para aposentadoria. Comentei, entusiasmado, a Reforma do Coronel Mauro. Recebi como resposta: “Quando tiveres o meu tempo de magistério saberás que tudo passa e a escola continuará igual à época medieval”. Imaginei: “O tempo tornou turva a visão de futuro desse colega”. O tempo passou, muitas outras reformas vieram e a escola continua com suas deficiências.
Os administradores querem deixar marcas de sua atuação através de “reformas”, querem zerar tudo para iniciar novos projetos; cada um parece querer inventar a roda. Além da “Reforma” do Sr. Coronel Mauro, presenciamos outros dois grandes tumultos: QPE do Sr. Secretário Bernardo de Souza e o “Calendário Rotativo” da Srª Secretária Neuza Canabarro. Agora presenciamos o “Projeto” da Srª Secretária Mariza Abreu. O que há de comum entre eles?
Todos são geradores de polêmica, conduzidos de forma arbitrária, truculenta e distantes dos objetivos da educação. Todos são pautados por questões econômicas! Nenhum deles estabelece diálogo com o professor que atua em sala de aula. Nenhum deles questiona pais e comunidade sobre a educação que querem.
Pensar Educação não é cumprir acordo com bancos internacionais, defender projetos pessoais e muito menos imprimir “novos modos de governar”.Pensar Educação é pensar na sociedade, no aluno e nos profissionais da área. A educação acontece numa relação professor/aluno, dentro de um contexto familiar e social. A Educação é um processo e não um produto, e os resultados só podem ser percebidos ao longo do tempo, não podem ser pesados e medidos em intervalos de curto prazo.
Cada um destes “grandes projetos” tem qualidades e defeitos. Do Coronel sobrou o Plano de Carreira, imperfeito e merecedor de reforma, mas não descartável. Ficou, daquela época, o horror às “reciclagens”. O QPE mexeu em privilégios, foi uma oportunidade perdida para reestruturar administrativamente as escolas. Não teve resultados porque as conveniências políticas retornaram tudo “como dantes na casa do Abrantes”. O Calendário Rotativo foi uma proposta interessante para utilização do espaço escolar por evitar a ociosidades do sistema, mas a inabilidade administrativa destruiu-o. Agora, a “reforma Abreu”, já em andamento, caracteriza-se pela falta de informação, pelo personalismo e pela imposição. O melhor é aguardar que tal projeto seja divulgado integralmente para que possamos avaliá-lo.
Mais de quarenta anos depois de ter ingressado no magistério, aposentado, mas sempre ligado em assuntos educacionais, posso dizer que o tempo não turvou a minha visão de futuro. Pelo contrário, permitiu ler muito, estudar, refletir e firmar posição. A “nossa escola” não mudou, mudaram os “administradores”. Isto me faz concordar mais uma vez com meu querido Mário Quintana: “Todos estes que aí estão, / Atravancando o meu caminho, / Eles passarão. Eu passarinho!”.

Um comentário:

Miguel Ricardo disse...

Parabéns pelo texto. Penso que, mais uma vez, "a reforma" na Educação não é nada mais que uma atitude que, infelizmente, deixará muitos defeitos e que servirá apenas para "deixar marcas", como disseste!
Abraços!