terça-feira, 3 de maio de 2011

Estrangeirismos I

A língua é o grande patrimônio cultural de qualquer comunidade. Através dela construímos a cultura, perpetuamos o conhecimento e permitimos que a ciência avance. Zelar pelo bom uso da linguagem é dever de todos.
Assim como os grupos sociais interagem, estabelecem relações de troca, a língua também produz seus empréstimos. Não é uma questão de superioridade, mas de “parceria” entre elas. Às vezes, uma sociedade avança em alguma área do conhecimento ou tem experiências que outras não têm e, assim, desenvolve vocabulário adequado a estes novos recursos tecnológicos e vivências.
O Português vem evoluindo ao longo do tempo através do contato com outras línguas e outros falantes. O estreito convívio com o Espanhol sempre permitiu um intercâmbio intenso entre estas duas línguas irmãs. O Renascimento trouxe para nós muitos vocábulos do Italiano. No século XIX e início do século XX, o francês contribuiu com muitos termos. Hoje a cultura norte-americana está em voga, o que justifica a forte influência do Inglês entre nós. Basta examinarmos o dicionário para percebermos o quanto cada momento destes contribuiu para a ampliação de nosso vocabulário.
A cada contato, o Português amplia seu “estoque” de palavras. Não é por acaso que o nosso léxico é um dos mais amplos dentre as línguas modernas. Os empréstimos se justificam pelo modismo e não pela pobreza do vocabulário. O uso de um termo estrangeiro em lugar de um vernáculo é simplesmente um reflexo da sociedade que elege certas “modernidades”. Assim como a moda, todo excesso acaba sendo descartado.
Valorizar a Língua Portuguesa não é um assunto de legislação, mas de cultura e educação. Comerciantes e consumidores sentem-se valorizados ao empregar algum termo estrangeiro em suas relações comerciais. É mais “chique” dizer “delivery” do que “entrega”. O que deve ser combatido é o modismo e não a palavra estrangeira.
Manter a nossa cultura e preservar nossa amada “Última flor do Lácio” é uma questão educacional. O bom professor de Português, o jornalista consciente, o administrador responsável, todos podem contribuir para a preservação da Língua Portuguesa, muito mais do que leis ineficazes. A grande contribuição dos deputados seria vigiar seus próprios discursos e textos para que se tornem exemplos de proficiência linguística.
Com certeza, a contribuição que os deputados poderiam dar à sociedade rio-grandense seria maior empenho no ensino da Língua Portuguesa e valorização da cultura linguística em nossas escolas. Infelizmente, não esperemos destes senhores tal esforço, pois isto não proporcionaria espaço na mídia.

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