Os Cursos de Letras têm ênfase na formação magistério, mas muitas outras frentes de trabalho são possíveis para o profissional de letras, além da sala de aula. O grande problema se estabelece no momento em que as terminalidades apresentadas deixam o acadêmico em uma situação delicada, pois tem que optar entre Licenciatura ou Bacharelado.Como o mercado para Bacharelado é bastante restrito, as IES optam pela Licenciatura, isto é natural. O que se pode verificar é que entre uma terminalidade e outra há uma gama de funções que podem ser desempenhadas pelo profissional, basta para isto que os Cursos de Letras ofereçam "extensões" que privilegiem formação mais direcionada ao mercado de trabalho.
Como é público e notório, os profissionais da Comunicação assumiram funções que, em tese, seriam de Letras, mas o mercado exige profissionais mais criativos e menos apegados aos labirintos da gramática. Assim os cursos de Comunicação levam mais a sério áreas como pragmática, semântica, lingüística de texto e outras. Na hora de contratar um profissional o empresário está mais preocupado com o resultado do uso da linguagem do que com a correção. Assim, acabamos perdendo terreno.
As editoras, gráficas e todas as empresas da área de impressão têm necessidade de profissionais capacitados para revisão. Aqui, sim, exige-se uma habilidade maior no uso do sistema lingüístico, mas, mesmo assim, é fundamental o aspecto criativo da construção do texto.
Os Cursos de de Letras esqueceram os ensinamentos do grande mestre Antônio Cândido sobre Crítica Literária e passaram a entender crítica como um "diálogo entre entendidos", deixando o público leigo em Literatura sem um direcionamento para seus projetos de leitura. O resultado é que a chamada "crítica de rodapé" deixou de ser exercida pelos profissionais de letras e foi assumida por jornalistas e leitores em geral. Hoje os jornais e revistas trazem colunas sobre literatura, escritas por profissionais de qualquer área.
Diante de um quadro constante de perda de mercado de trabalho, o estudante de letras sente-se desestimulado, pois a sala de aula é um dos últimos lugares em que ele quer exercer a sua profissão. Levantamento do MEC confirma que 70% dos acadêmicos de Letras não pretendem seguir magistério. Isto é desolador para o Curso, algo tem que ser repensado para que possamos retomar um caminho de satisfação do egresso com o Curso de Letras.
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