Certo e erradoA distinção entre "certo/errado" e "adequado/inadequado" é frequente entre os professores. Reconhecer o nível coloquial como fenômeno independente do nível culto de linguagem não é nenhuma novidade trazida pelas autoras do livro. O professor, em sala de aula, sempre soube acolher o aluno, independente da linguagem trazida por ele para a escola. Esta receptividade do professor é decorrente de sua formação pedagógica e linguística.
Quando a professora Heloísa Ramos defende a sua obra, ela sempre se refere à linguagem falada, mas a linguagem escrita é algo bem distinto.
A escola não pode discriminar o aluno pela linguagem que traz da família, mas, por outro lado, não pode se omitir de transmitir à criança a "variante privilegiada" (?) que é seu passaporte para a integração social e profissional.
Dizer que alguém está agindo certo ou errado não é "condenar" ou "excluir", mas oportunizar ao indivíduo a correção de seu comportamento. No caso da linguagem é semelhante. Há um padrão linguístico utilizado pela maioria e este é adquirido, principalmente na escola.
A questão "adequado/inadequado" é outro assunto. Refere-se ao processo de comunicação no qual falante e ouvinte devem "adequar" seus níveis de linguagem para que a interação ocorra. Isto tem relação com o "uso individual" da linguagem o que é distinto do "uso social" que está sujeito à aceitação do grupo de falantes. Ninguém muda a língua! As mudanças são fruto de longo processo social por parte dos falantes. A linguagem pode estar "adequada" dentro de um grupo de falantes, mas inadequada e relação ao padrão coletivo. Respeitar as variantes linguísticas é aceitar todas as possibilidades de uso, inclusive o chamado "padrão culto", e não privilegiar a fala de um grupo apenas por questões ideológicas e/ou políticas.
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