quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Educação e disciplina


Não há educação eficiente sem disciplina. Os resultados divulgados pelo último ENEM (2010) são reveladores de muitas mazelas de nosso sistema educacional. No cômputo geral, as escolas públicas continuam perdendo espaço para as particulares o que comprova a falência das políticas públicas estaduais para a educação. Apesar do discurso oficial em direção à “inclusão social” o que se observa é a marginalização de grande camada da população que necessita da escola pública.
Colégio Politécnico da UFSMÉ de se reconhecer que houve avanço na média nacional, de 501,58 (2009) para 511,21 (2010), mas o que assusta é o ministro Fernando Haddad dizer que a meta é atingir 600 pontos em 2028! Hoje todas as 20 melhores escolas públicas ou particulares possuem desempenho acima deste parâmetro o que comprova que o “know-how” existe, basta a sua generalização. Por que esperar mais 17 anos para atingir um patamar já ultrapassado por muitas escolas hoje?
Observando o Rio Grande do Sul, verifica-se que o estado perdeu três posições, sendo ultrapassado pelo Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo. Ninguém pode ter dúvida de que este desempenho é resultado da forma autoritária com que a educação foi tratada na gestão anterior. Os conflitos constantes entre governo e magistério levaram às escolas o clima de desilusão e angústia o que tem reflexos diretos no desempenho do professor em sala de aula.
Professores desmotivados e indisciplina são fatores determinantes para maus resultados em educação. Tais ingredientes, tão presentes nas escolas públicas estaduais são mais raros, ou ausentes, nas escolas públicas do sistema federal ou particulares. Excetuando a Escola Tiradentes (Brigada Militar) que tem relativa autonomia administrativa e pedagógica, as demais escolas estaduais amargam posições em torno do centésimo lugar. As duas primeiras colocações no Estado são Colégio Militar de Porto Alegre (693,69) e Colégio Politécnico da UFSM (693,43). Nos dois casos, as instituições, além de oferecerem ensino de qualidade, promovem ambiente de disciplina e respeito entre seus membros.
As teorias pedagógicas permissivas e a ingerência de interesses políticos no sistema estadual têm levado as escolas ao clima de desorientação e indisciplina que barram qualquer esforço do corpo docente no sentido de uma melhor qualificação do trabalho pedagógico. Hoje, nas escolas públicas o professor é refém do aluno, amparado pelo ECA, é refém dos coordenadores pedagógicos que, em muitos casos, nunca assumiram uma sala de aula e refém de “políticas sociais” que priorizam tudo, menos o conhecimento.
Enquanto não se estabelecer um clima de disciplina, respeito e conhecimento nas escolas, o desempenho será medíocre, pois estes fatores são indispensáveis para a aprendizagem. Observando o plano publicado pelo governo do Estado para enfrentar a situação, parece que os erros continuarão, pois não há previsão de nenhuma medida capaz de restabelecer um ambiente ordeiro e estimulante da aprendizagem. O governo do estado continua desvinculando educação de disciplina o que, com certeza, manterá o fraco desempenho das escolas estaduais no ENEM.

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