Não há educação eficiente sem disciplina. Os resultados
divulgados pelo último ENEM (2010) são reveladores de muitas mazelas de nosso
sistema educacional. No cômputo geral, as escolas públicas continuam perdendo
espaço para as particulares o que comprova a falência das políticas públicas
estaduais para a educação. Apesar do discurso oficial em direção à “inclusão
social” o que se observa é a marginalização de grande camada da população que
necessita da escola pública.
Observando o Rio Grande do Sul, verifica-se que o estado
perdeu três posições, sendo ultrapassado pelo Distrito Federal, Rio de Janeiro
e São Paulo. Ninguém pode ter dúvida de que este desempenho é resultado da
forma autoritária com que a educação foi tratada na gestão anterior. Os conflitos
constantes entre governo e magistério levaram às escolas o clima de desilusão e
angústia o que tem reflexos diretos no desempenho do professor em sala de aula.
Professores desmotivados e indisciplina são fatores determinantes
para maus resultados em educação. Tais ingredientes, tão presentes nas escolas
públicas estaduais são mais raros, ou ausentes, nas escolas públicas do sistema
federal ou particulares. Excetuando a Escola Tiradentes (Brigada Militar) que
tem relativa autonomia administrativa e pedagógica, as demais escolas estaduais
amargam posições em torno do centésimo lugar. As duas primeiras colocações no
Estado são Colégio Militar de Porto Alegre (693,69) e Colégio Politécnico da UFSM (693,43). Nos
dois casos, as instituições, além de oferecerem ensino de qualidade, promovem
ambiente de disciplina e respeito entre seus membros.
As teorias pedagógicas permissivas e a ingerência de
interesses políticos no sistema estadual têm levado as escolas ao clima de
desorientação e indisciplina que barram qualquer esforço do corpo docente no
sentido de uma melhor qualificação do trabalho pedagógico. Hoje, nas escolas
públicas o professor é refém do aluno, amparado pelo ECA, é refém dos
coordenadores pedagógicos que, em muitos casos, nunca assumiram uma sala de
aula e refém de “políticas sociais” que priorizam tudo, menos o conhecimento.
Enquanto não se estabelecer um clima de disciplina, respeito
e conhecimento nas escolas, o desempenho será medíocre, pois estes fatores são
indispensáveis para a aprendizagem. Observando o plano publicado pelo governo
do Estado para enfrentar a situação, parece que os erros continuarão, pois não
há previsão de nenhuma medida capaz de restabelecer um ambiente ordeiro e
estimulante da aprendizagem. O governo do estado continua desvinculando
educação de disciplina o que, com certeza, manterá o fraco desempenho das
escolas estaduais no ENEM.
Nenhum comentário:
Postar um comentário