É estarrecedor o fato divulgado pela imprensa sobre as
mortes ocorridas no hospital. O que quero falar não é sobre o acontecimento em
si, mas sobre o conceito de “entidade confessional”.
O hospital é mantido pela Sociedade Evangélica
Beneficente (SEB), portanto uma entidade de caráter religioso. Há muito venho
observando que tais entidades abandonam seus princípios religiosos em troca de
lucro financeiro. Não sei que confissão religiosa é esta mantenedora, mas, com
certeza, deve ter como princípio básico a preservação da vida.
Não digo que estas entidades confessionais devem
restringir seus quadros funcionais a membros de suas igrejas. Isto seria uma
demonstração de intolerância. Refiro-me ao fato de que os princípios básicos da
religião devam nortear as atitudes dos funcionários, levando-os a agir com amor
ao próximo e respeito à vida.
Com certeza, este hospital deve ter, no seu quadro
funcional, algum pastor que circula pelas dependências do hospital. Será que
ele nunca percebeu o tratamento dispensado aos pacientes? Não caberia a ele
discutir os procedimentos médicos, mas a observação das relações da médica com
os demais funcionários é algo evidente. A aflição e as dúvidas dos pacientes e
familiares não poderiam passar despercebidas ao religioso!
As religiões criam colégios, faculdades ou hospitais com
o objetivo de lucro financeiro, nem que para isto tenham de abrir mão dos
elementares princípios religiosos. Uma instituição confessional deve ser
exemplo de caridade cristã. Caso contrário se confunde com empresas laicas. Cada
entidade religiosa deve ter como diferencial os postulados de sua pregação.

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