quinta-feira, 7 de março de 2013

Quando a epistemologia faz falta


O colégio Faria Brito de Fortaleza/CE publicou material didático de física com imagem considerada homofóbica pela ABGLT. Parece ser mais uma denúncia desta entidade em defesa dos homossexuais. Não vamos discutir o papel da entidade, muito menos o mérito de suas ações. O que nos chama a atenção é outro fato: a falta de conhecimento que graça a contemporaneidade.
O problema posto não é apenas um caso de homofobia, mas é desconhecimento científico ou posicionamento ideológico. A primeira possibilidade revelaria a decadência de nossos professores e a segunda, a má intenção de administradores.
O material didático em pauta é um texto de física sobre Eletricidade e magnetismo, com uma exemplificação sobre “atração” e “repulsão”. A física é uma ciência que estuda a natureza e os fenômenos naturais, das menores partículas até o movimento do universo. É uma ciência exata, sem preocupação com o comportamento humano!
A biologia é outro campo científico. Estuda os seres vivos, desde o micro universo das células até as relações dos seres com o ambiente. Cabe à biologia o conhecimento sobre a classificação dos seres vivos, sendo os sexuados classificados em machos e fêmeas. A biologia não se aventura a analisar os comportamentos sociológicos.
Num outro recanto da teoria do conhecimento, podemos encontrar a sociologia que estuda o comportamento humano em relação ao meio e as relações que se estabelecem entre indivíduos, grupos, associações e instituições. Não podemos esquecer que a sociologia é uma ciência humana e descritiva, nunca prescritiva.
Montado este quadro epistemológico, é possível reconhecer o problema posto pelo Colégio Faria Brito. Para explicar um fenômeno físico (atração e repulsão), utilizou um fato da biologia (macho e fêmea), tentando provar que sexos semelhantes se repelem e opostos se atraem. Assim o material alcança a sociologia, tentando demonstrar a relação entre heterossexualidade e natureza e, por outro lado, a homossexualidade como antinatureza. Assim, a confusão ficou completa, pois para explicar física, a escola apela para um fator sociológico.
Iniciamos, afirmando que não é uma questão de homofobia que se estabelece, ou até pode ser, mas o que espanta são as probabilidades de ser por falta de informação ou por postura ideológica.
Com certeza, o professor sabe que o fenômeno de atração e repulsão é básico em física, imutável, contínuo e provável cientificamente. Tal assunto tem muitas aplicações, como entendermos uma bússola ou conhecermos os movimentos dos astros. Como um professor de física estabeleceria a relação de sexo no espaço celeste? Se o professor que elaborou o material, tem uma sólida base científica não teria caído nesta armadilha.
É muito provável que um administrador ou pedagogo tenha tido uma “feliz ideia” de cruzar “temas transversais” e, atropelando toda ciência, estabelecer a infeliz relação entre física e comportamento de gênero. Este disparate não pode ser considerado uma “casualidade”, mas uma “intencionalidade” com o objetivo de defender posturas pretensamente morais e/ou religiosas.
Por fim, o que me espanta é que um absurdo deste seja denunciado por uma entidade como a ABGLT e passado despercebido, pelo menos até agora, pela comunidade científica!  

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