sábado, 16 de março de 2013

Artista ou louco?


Há um dito popular que diz: “de artista e louco, cada um tem um pouco!” Nada mais verdadeiro. Entre a arte e a loucura cada um promove o seu equilíbrio, uns mais para artistas outros mais para loucos. O problema é que alguns exageram no quinhão da loucura, imaginando tornar-se artista.
O que precisamos descobrir é se entre arte e loucura há relação de contiguidade ou de seleção. Se for o primeiro caso, alguém pode passar de louco à artista e vice-versa, mas se for o segundo, são opções definitivas.
Na área das artes plásticas, o pessoal abusa do direito à loucura, apresentam cada “coisa” e tentam nos convencer de que é arte! Na contemporaneidade, perdeu-se o sentido estético e a arte submeteu-se à discursividade. Vamos explicar.
Um “artista” produz um borrão qualquer ou monta uma “instalação” e, depois, elabora um discurso para “explicar” sua criação. O objeto perdeu seu caráter visual e subordinou-se ao discurso do artista. O que seria arte “plástica” (visual), agora está dependente de interpretação, do artista ou do “apreciador”. O objeto não fala mais por si. Quando há necessidade de um “mediador” entre o objeto artístico e o receptor, com certeza, ele deixou de ser arte visual, e tornou-se apenas um ponto de partida para o discurso.
O artista argentino, León Ferrari, faz uma previsão sobre o novo papa, considerando-o “autoritário”, porque em 2004 o então cardeal Bergoglio classificou como “blasfema” uma exposição dele. Nada mais “sem sentido”.
O “famoso artista” expos, entre outros trabalhos, um cristo crucificado num avião e um “juízo final”, pintado com coco de pombas. Tais trabalhos são “anticlericais” e para os crentes blasfemo mesmo. Não conheço o teor da crítica do cardeal, mas ele disse o que um religioso poderia dizer.
Nós que não somos religiosos e temos um mínimo de senso estético, podemos dizer que é difícil considerar arte um monte de merda de pombos. Isso tem em qualquer praça de nossas cidades. Qualquer “profundo conhecedor” de arte contemporânea, irá justificar dizendo que tal obra é um protesto, uma “desconstrução” da obra original: “O juízo final” de Michelangelo!
O cardeal Bergoglio poderia ter economizado seu tempo e palavras, pois qualquer pessoa de bom senso poderia recusar tais “produções artísticas”. O que León Ferrari produz é ruim por si só e não por ser “blasfemo”. Merda de pombo é merda e não será arte pelo fato do artista esfregá-la na tela! Ferrari exagerou no direito a seu quinhão de loucura.
Fonte: Zero Hora – 16/03/2012 (Contracapa)

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