quarta-feira, 13 de março de 2013

Nota mínima para cursos de licenciatura

A Câmara dos deputados aprovou texto que exige nota mínima no exame do ENEM para ingresso em cursos de formação docente. O texto legal segue para aprovação do executivo.
É muito importante que a formação profissional do magistério tenha alguma valorização, pois na forma atual qualquer nota no ENEM permite ingresso no curso superior. Como o magistério é uma carreira pouco atrativa, em termos econômicos, os alunos melhor classificados escolhem outros cursos.
Novamente, volta à discussão a formação universitária para os professores. Pelo novo texto, o professor leigo terá seis anos, contados a partir da posse para concluir a formação universitária. O problema é que tal exigência semelhante já existiu e foi revogada pelo MEC. Espera-se que agora ela seja respeitada.
Não há como pleitear melhoria na educação com a formação precária que temos nas IES. Hoje os cursos de licenciatura são os mais sucateados e com expansão desordenada. Qualquer lugar tem cursos de formação docente, sem contar que a modalidade EAD, tem proliferado sem nenhum controle. Seja presencial ou EAD, o governo não poderia abrir mão da qualidade.
O ensino superior que era centrado nos três pilares básicos: ensino, pesquisa e extensão, hoje, está resumido à transmissão de conteúdos teóricos. Os pedagogos se contentam com a repetição de modelos estrangeiros e teorização excessiva, sem produzir pesquisa que dê conta de nossas peculiaridades.
Na área de letras, a sociolinguística deixou de ser uma área importante de pesquisa para se tornar justificativa de um “vale-tudo” para a linguagem. A literatura dissociou-se da leitura e, hoje, vemos alunos muito bem informados sobre história literária e com baixo índice de leitura de nossos autores.
Um projeto como o proposto pelo legislativo, com certeza, encontrará barreiras muito fortes no ministério da educação e, possivelmente, passará a integrar o grande rol das “letras mortas” de nossa legislação.


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