sexta-feira, 21 de junho de 2013

Um aprendizado lento

A preocupação com as manifestações é muito grande, as pessoas olham o movimento com uma ponta de medo, pois todos sabem como iniciou, mas ninguém consegue prever o final. Este é um momento de passagem, o problema é saber para onde.
Os mais preocupados apontam falta de objetividade dos manifestantes, deste ponto discordo, não é falta, é excesso. Os motivos são tantos que até parecem dispersos. Numa análise reducionista, pode-se apontar a corrupção como a mola central. O caso da PEC 37 é clara a manobra de corruptos buscando proteção. Os gastos com a Copa são corruptos em plena negociatas e os “mensaleiros” no poder é a cara da corrupção.
Não vou discutir causas, mas métodos. Este texto é uma reflexão sobre o processo lento que culminou com toda esta onda de manifestações. Ações do governo foram muito “didáticas” para a formação da consciência da população. O povo calado aprendeu a lição, agora está em plena prática.
Não é de um momento para outro que a população tomou as ruas. Há tempo, as manifestações são pontuais, mas reprimidas e ignoradas pela imprensa. Naquele momento o termo utilizado era “protestos”, hoje é “manifestações”. Parece que a troca de um termo é apenas uma questão linguística, mas não o é. Ela mostra que o movimento cresceu e que sufocar o grito de um milhão de pessoas não é tarefa para forças policiais. Isto justifica a “simpatia da Rede Globo” para com o movimento.
O governo do PT fragmentou a sociedade brasileira, dividindo-a em grupos: negros/brancos; índios/não índios; MST/fazendeiros; gay/homofóbicos; cotistas/não cotistas; empregados/patrões e assim por diante, numa clara aplicação dos velhos ensinamentos da luta de classes. A posição do governo em defesa de direito e até privilégios dos primeiros resultou na injustiça para com os demais. O que o povo brasileiro está dizendo nas ruas é: “somos o povo”, independente de cor, raça ou opção sexual. Não é sem significação a quantidade de jovens que portam a Bandeira Nacional e cantam o Hino. A sociedade brasileira está dizendo “não à luta de classes”.
Quando o MST invadiu fazendas, destruiu institutos de pesquisa, bloqueou estradas e expropriou terras, recebendo, do governo, todo apoio; tanto em logística como em ações jurídicas, a população ficou imóvel. A sociedade sempre repudia estas ações, mas não tem como protestar, pois a imprensa, mancomunada com o governo, silencia a voz dos descontentes com esta “luta campesina”
Quando os índios são levados de avião da FAB para protestar em Brasília, recebem apoio do governo e barbarizam o Congresso, mais uma vez a população fica paralisada, estarrecida. Quando a reserva “Raposa Serra do Sol” é reconhecida como terra indígena, expulsando centenas de agricultores, a sociedade nada pode dizer, pois foi uma declaração do STF.
Quando os “mensaleiros”, mesmo condenados pelo STF, assumem cargos no governo, a população fica indignada, mas como lutar contra o Politburo? José Dirceu continua sendo um “grande conselheiro” no centro do poder. Lula não é mais presidente, mas Dilma vai a São Paulo para consultá-lo. Não se observa nenhuma mudança nos métodos e práticas.
Quando o estatuto do desarmamento foi rejeitado por mais de 80% da população, o governo ignorou a vontade popular. Fez campanhas e passeatas pelo desarmamento dos cidadãos honestos e trabalhadores, mas “esqueceu” de desarmar a bandidagem. Hoje estamos à mercê dos bandidos, que roubam, assaltam e matam livremente. A sociedade não aceita morrer como baratas!
Quando o governo destinou milhões para estádios e sucateou hospitais, escolas e presídios o povo percebeu que a FIFA era maior do que os interesses nacionais. O governo errou ao distribuir “circo” e sonegar “pão” e “remédio”. Quem sofre numa emergência de hospital não tem ânimo para assistir jogos, mas, uma vez livre da dor, sente vontade de contestar.
Quando o governo se alinha a países que não respeitam a democracia e massacram seus habitantes, como Cuba, Venezuela e Irã, a população finge que não vê, mas guarda em sua memória este acinte à liberdade.
O povo é povo, pode errar pela inocência, mas nunca pela cegueira. O governo incitou a população, incentivou a revolta, instigou o ódio, mas o povo aprendeu a ir às ruas, para repudiar a luta de classes, para contestar o “politiburo”, estancar as “guerrilhas”, tanto urbana como campesina e acima de tudo dizer: temos orgulho de sermos brasileiros.
Os políticos atuais e anteriores são os grandes motivadores da revolta da população, pois eles estão sempre dispostos a preservar seus privilégios e ignorar as necessidades da sociedade. O povo está cansado das manobras políticas que faz com que, enquanto a população sofre, eles, independente de partidos, desfrutam de benesses ilegais e imorais.

Este foi um aprendizado lento, mas importante.

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