O termo “tchê” é usado
nos países da América do Sul, principalmente na região do Pampa que abrange sul
do Brasil, Uruguai e parte da Argentina. O termo tem origem obscura, mas
algumas hipóteses merecem crédito.
a) origem indígena. São duas possibilidades para esta
vertente. A tupi-guarani, na qual “tchê” é um pronome possessivo, como “meu”. A
outra é da língua “quéchua” (falada pela etnia Mapuche, no Chile), em que o
termo “chê” (sem o “t”) significa “gente”, “povo”, “pessoas”. “Mapuche”
significa povo bravo.
b) origem espanhola. Uma forma arcaica do espanhol indica “c”
com o significado de “chamamento”, pois corresponderia a uma onomatopeia,
semelhante ao nosso moderno “psiu”.
c) origem latina. No latim o acusativo e ablativo de “tu” é “te”
que ao evoluir para o português tenha se tornado aspirado, originando “tche”. É
uma hipótese razoável, pois o ablativo é o caso do complemento adverbial como o
de companhia. Assim o “tche” seria algo como “contigo”, “junto de”.
Em qualquer uma das origens o termo “tche” aponta para o
sentido de chamamento, de vocativo. Não é expressão de uso restrito ao Rio
Grande do Sul, pois é muito frequente nos demais países do Prata. Há duas variantes
gráfica? “tchê” ou “chê”, em ambas o “e” fechado, a distinção é apenas de
aspiração.
Observem alguns usos:
Che Guevara – O “tchê” foi acrescentado ao nome, como uma
forma de tratamento. Este mesmo emprego aparece em “tchê amigo”, “báh tche car”.
Como vocativo aparece em expressões como, “tchê, olha aqui...”
“tchê, chega de conversa” e tantas outras.
Funciona como substantivo em construções como “o tchê saiu às
pressas”, “Não há tchê que acredite...”
O termo “Tchê” está ligado à diversos empreendimentos comerciais
ou artísticos: Tchê barbaridade; Tchê Loco; Tchê Garotos; Tchê Arteiros (grupo
de teatro); Churrascaria Tchê; Tchê Buteco e tantos outros.
Em qualquer uso, é uma expressão que nos enche de orgulho,
pois nos identifica com facilidade. Não é tchê?

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