A educação no Brasil apresenta um quadro desolador. Segundo o
próprio MEC, temos 2.095.013 (dois milhões, noventa e cinco mil e treze)
professores em atividade no ensino fundamental. Desse total, 458.807
(quatrocentos e cinquenta e oito mil, oitocentos e sete) não têm titulação
superior e mais de 2.000 (dois mil) não têm, sequer, o ensino fundamental
completo!
Como pode funcionar o sistema educacional, tendo mais de 21% do
quadro de servidores sem titulação? Se perguntarem a qualquer político, terão
como resposta a velha desculpa: não há
pessoal titulado na região. A verdade, porém, é outra, a educação sempre
foi “cabide de emprego” para os militantes, isto é histórico no Brasil. Os
governantes preferem contratos a concursos, pois assim podem fazer indicações
comodamente.
O problema é que estes “militantes” – ou parente deles –
depois de um tempo são efetivados, através dos famosos “trenzinhos da alegria”.
Ninguém imagine que tal procedimento é coisa do passado. As formas de execução
podem mudar, mas a prática continua igual.
Agora, o governo propõe o tal PARFOR (Plano nacional de
formação de professores da educação básica), nada mais enganoso. Tal plano
pretende titular (entenda-se “titular” e não “capacitar”) professores sem
formação superior, para isto oferece 39.576 vagas em universidades públicas e
privadas. O procedimento é o mesmo há anos: contrata qualquer um, alega falta
de titulação e, com esta desculpa, propõe planos mirabolantes. Quem tem memória
lembra das antigas “Licenciaturas curtas” e dos “Esquemas I”, sempre fórmulas
mágicas para burlar a carreira do magistério. Que outra classe profissional
aceitaria tais absurdos?
Das vagas oferecidas, foram preenchidas apenas 13.674, sendo
que, deste total, 5.093 para cursos de pedagogia. Quem consegue entender esta
realidade: temos quase meio milhão de professores atuando, sem curso superior,
o governo “oferece” titulação e apenas pouco mais de 13 mil candidatos apresentam-se?
Talvez alguém possa estranhar tal conta e apontar falta de interesse da classe.
Não é bem assim! Quem nunca aspirou à carreira do magistério - apenas faz
militância política - não tem o menor interesse, pois sabe que o “padrinho”
nunca o deixará em dificuldade. Uma “boquinha” aqui ou ali sempre estará
garantida.
Podemos completar este nosso raciocínio com mais dois dados.
Como vimos, mais de 2.000 (dois mil) professores não têm Ensino Fundamental, para
estes não há uma solução imediata? Ou será que estes não são preocupação para o
governo? Outro detalhe: dos inscritos no programa, quase metade, 5.093 (cinco
mil e noventa e três) estão matriculados para cursos de pedagogia! Quem vai
ensinar as nossas crianças a ler e fazer contas?
É importante analisar esta questão por outro ângulo. O
magistério, visto como mercado de trabalho, é uma realidade preocupante. Podemos
iniciar com uma visão do caso do Rio Grande do Sul. O governo estadual nega-se
a pagar o Piso do Magistério Público (lei 11.738/2008). Hoje a defasagem é mais
de R$ 500,00 no contra-cheque por mês. No conjunto dos estados brasileiros, o
governo gaúcho é o 18º em valores pagos aos professores, bem abaixo de estados
como Roraima, Amapá e Acre![1]
Com um quadro de salários destes, quem pretende ingressar na
carreira do magistério? O vexame do último concurso já foi demonstração clara
da situação dos candidatos. Os jovens que têm capacidades para enfrentar
vestibular de outros cursos, jamais ingressarão na formação magistério. A
realidade é tão trágica que pode ser facilmente constatada pela quantidade de
cursos fechados nos últimos anos nas instituições particulares.
Outra solução apresentada pelo governo e a formação
pedagógica em EAD. Bem, esta deixo de comentar. Brincadeira tem hora e lugar!
Agora vamos a uma explicação: por que estou falando sobre
isto? Simples, este malfadado PARFOR foi objeto da primeira fala do novo
ministro da Educação - Henrique Paim. É por este descaminho que continuará a
nossa educação.
[1]
Fonte: Instituto Metas - http://revistaeducacao.uol.com.br/textos/107/salarios-dos-professores-279028-1.asp

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