O mundo contemporâneo tem espaço para todo tipo de
comportamento. Diante de tantas injustiças, descalabros e violências somos
levados a atitudes extremas. Uns indignados, vão para as ruas gritar e extravasar
sua raiva, outros ficam pasmos, imóveis não demonstrando nenhuma reação. Razão
há de sobra para ambos, mas prefiro um caminho diferente.
Fico irritado!
Por que prefiro o verbo “irritar”? Pelo fato dele descrever o estado do
indivíduo e não sua reação. Quando digo que alguém está “irritado”, sei apenas
que está “fora de controle”, mas não posso prever o comportamento. É apenas um
prenúncio de algo que pode acontecer, ou não: calar, responder, agredir ou
simplesmente ignorar. A reação é apenas consequência da irritabilidade.
Cada pessoa é capaz de “sair da casinha” por motivos
diferentes. Já presenciei pessoas irem ao extremo pelo resultado de um jogo de
futebol. Para mim, isto não é motivo nem para tomar conhecimento. Outros perdem
o controle com a política e os políticos. Há quem perca o controle por fatos
grandes, outros por pequenas coisas. A verdade é que só nos reconhecemos quanto
perdemos o controle. Neste momento podemos descobrir nossos pontos vulneráveis.
Cada motivo que nos irrita é uma lição de vida, um
aprendizado que nos trará reflexão, autocontrole. Se a agressão e o grito podem
ser respostas, o silêncio também. O silêncio, muitas vezes, é a resposta mais
violenta, pois não permite contestação. Ninguém silencia na dúvida, mas na
certeza de estar certo e na confiança de que a natureza é evidente por si só,
não necessitando de argumentos. Quando olho pela janela e digo é dia ou noite,
não preciso argumentar, mas se estiver isolado num quarto escuro, a minha
opinião poderá ser contestada e, assim, preciso justificar a minha realidade.
Platão já nos falou sobre a caverna e as nossas próprias sombras.
Esta série é um mergulho na busca de “fantasmas” que povoam
as paredes de nossas cavernas, trazê-los para a luz e, reconhecendo-os,
irritar-se menos.

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