Entre a cruz e a espada estou / Sem amor não sei viver (Soweto)

As relações entre Dom Dadeus Grings e o judiciário não são nada amigáveis e no dia primeiro deste mês a polêmica tomou espaço na imprensa. O arcebispo de Porto Alegre lançou nota acusando a justiça de corrupta, enquanto o judiciário o acusou de “postura inquisitorial”. Cada qual tem sua trajetória de polêmicas.
Por um lado, Dom Dadeus já é personagem conhecida por suas declarações contraditórias. Em maio deste ano, o religioso provocou a comunidade homossexual com declarações homofóbicas, ao comparar a pedofilia com a homossexualidade na conferência da CNBB: “a sociedade é pedófila"; "o adolescente é espontaneamente homossexual" Tal declaração levou entidades ligadas a esses grupos (Nuances, Somos e Identidade) a promoverem uma passeata no centro de Porto Alegre. Até o Cpers/Sindicato e o Conselho Regional de Medicina (Cremers) emitiram notas, repudiando a declaração do religioso.
Por sua vez o judiciário, sempre autoritário e corporativista, torna-se indignado sempre que é criticado pela ineficiência ou pela atitude corporativista. O que foi dito pelo bispo não se distancia do que a ministra do CNJ declarou em Salvador uma semana antes (24/10): “existe corrupção no poder Judiciário, como existe em todos os segmentos da sociedade brasileira. - E eu tenho o dever constitucional de combatê-la".
Os problemas no Judiciário são de longa data, já em dezembro de 2008 a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, com ordem da Ministra Laurita Vaz do STJ prenderam oito pessoas, entre elas o Presidente do TJ(ES), dois desembargadores, um juiz e um membro do MP, todos sob a acusação de venda de decisões judiciais. Não necessitamos relembrar a triste figura do juiz Nicolau dos Santos Neto (Lalau), nem do juiz João Carlos da Rocha Matos que são casos históricos e emblemáticos.
Como se observa, neste embate não há só anjos ou demônios, há truculência e falta de humildade para reconhecimento das próprias mazelas. Há muito a sociedade perdeu a fé na autoridade religiosa e agora passa a desconfiar da justiça. Como na Idade Média, quando o povo ficava “entre a cruz e a espada”, agora também fica sem abrigo, sem proteção.
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