O voto não pode ser um segredo guardado a
sete chaves da mesma maneira que não pode ser a cabresto. O voto deve ser livre
como o nosso pensamento e coerente com nossas posições ideológicas. O velho
chavão “política não se discute” é o melhor instrumento para submeter as
pessoas à vontade dos grupos de poder. Se ninguém falar em política, os políticos
viverão em estado de graça, pois nunca serão questionados. O nosso voto e a
nossa palavra são armas públicas.
É difícil votar nos dias atuais, tal é degradação do quadro
político brasileiro. Muitos dizem que têm nojo de política, que odeiam votar.
Nada mais equivocado. Não podemos abrir mão de um direito conquistado ao longo
do tempo pela humanidade e, muitas vezes, negado à população. Só quando
perdemos o direito de votar é que nos acordamos da necessidade de exercermos a
nossa cidadania plena. A plena democracia só é percebida nos momentos
traumáticos, quando a perdemos. Uma vez conquistado o direito de votar, não
podemos abrir mão dele, por nós e por todos que estão a nossa volta.
Alguns confundem democracia com política partidária. Nada
mais enganoso! Os partidos políticos deveriam ser guardiões deste precioso bem,
mas nem sempre assim acontece, pois eles estão mais preocupados com o exercício
do poder do que com a convivência democrática. A postura ideológica cedeu
espaço para o fisiologismo, o diálogo passou a monólogo e a ética foi
substituída pelo corporativismo. O quadro não deixa de ser desolador, mas não
podemos nos omitir num momento como este.
As brigas, as discussões e mesmo a selvageria estão por
toda parte, tomaram lugar da lógica e da tolerância. Em razão deste quadro,
muitos julgam conveniente não falar em política, não expor seus pontos de vista,
mas cada vez que silenciamos, outros falam por nós. Não podemos ceder o nosso
espaço!
Pessoalmente, não tenho por hábito ficar em silêncio. Não
grito, mas não deixo de falar, tenho a coragem de dizer o que penso, porque
penso o que digo. Quando voto, não o faço por emoção, ou por “parceria”; meu
voto é fruto de um longo raciocínio que amadurece durante a campanha eleitoral,
sem deixar de privilegiar as posturas ideológicas que norteiam a minha
existência. Quando voto é por uma razão, que foi amadurecida por um longo
tempo.
Os partidos políticos estão vazios de ideologias, não têm
o menor pudor de estabelecer alianças espúrias em nome da tomada de poder. Nós,
eleitores, não podemos nos enganar com o discurso da fidelidade partidária, da
militância ou de compromissos pessoais. É nosso dever restabelecer a coerência
e a honestidade através do voto. Ao banirmos do cenário político os desonestos,
ou mesmo os honestos que lutam por causas contrárias aos nossos interesses,
estamos prestando um serviço à Pátria e abrindo caminho para uma sociedade mais
justa e feliz.
O voto é público,
porque é público o que se pensa.

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