Com muito sacrifício, a humanidade deixou para trás a
idade da pedra, atingiu a civilidade e o conforto. Para isto paga um ônus caro
que é a agressão ao meio ambiente. O dilema proposto, hoje, é continuar a
caminhada civilizadora e preservar a natureza e, para isto, rezas e meditação
não resolvem, o que vale é consciência. Neste campo minado entram os vigaristas
que ficam com o lucro e os gaiatos bem intencionados que se imaginam ensinando
ecologia. Como mariscos, ficamos entre o mar e o rochedo, confusos, explorados
e desinformados, por não sabermos distinguir os termos.
Ecologia tem o mesmo radical de economia que remete a
"habitat", convivência natural, simples, desprovida de luxo, mas com
o aconchego que merecemos em retribuição ao nosso esforço de civilização. Não
podemos abandonar os nossos parceiros históricos e voltar para a caverna e,
muito menos, abrir mão do conforto conquistado. O “tablete” dispensa a pintura
rupestre e o celular abrevia o esforço de fazer fumaça para a comunicação, mas
como não usar tais tecnologias? Vamos deixar claro que ecologia não é
retrocesso, é consciência de preservação e simplicidade.
Infelizmente, há os que falam em
"preservação" como radicalidade, negação do conforto e aproximação ao
primitivismo, ao isolamento e, como consequência, à barbárie. Imaginam natureza
intacta, negando o caráter evolutivo da própria natureza e condenando a
colaboração do homem neste processo. Preservar é não destruir, não agredir, não
intervir de forma que a natureza não consiga se recuperar. O curso da natureza
não pode ser interrompido pelo homem, diante dela, ele pode ser coadjuvante,
nunca ator principal. Assim como só um Quixote pode se imaginar dominando a natureza,
só um estúpido poderia imaginar viver longe dela. O homem faz parte das criações
da natureza, não se imagina a criatura competindo com seu criador. O raio e o
vento são mais fortes que o homem, ninguém os doma, orações são inócuas. A
nossa função é viver em harmonia com tudo que nos cerca.
Agora vem o drama!
Em termos de turismo, os vigaristas aproveitam.
Confundem ecologia com rusticidade e improviso, qualquer resto de construção
vira móveis, tronco de árvore vira poltrona, um colchão com uma imagem de Buda
vira espaço zen! Assim inauguram-se "pousadas ecológicas" para
trouxas encantados. Há tecnologia simples, acessivel e ecologicamentente
correta para construir bons hotéis em reservas ambientais. Por outro lado, o
poder público não investe em infraestrutura, alegando agressão ao meio
ambiente, mas cobra "taxa de preservação” para deixar tudo
"intocado", assim faz um grande negócio: enche as "burras"
de dinheiro, agrada os "ecologistas" de plantão e justifica-se aos
olhos do turista babaca.
Turismo não é sinônimo de destruição, o turista
desfruta do que lhe for disponibilizado, portanto aos agentes de turismo cabe a
responsabilidade de vigiar o uso dos recursos naturais. Empanturrar animais
silvestres com bolachas e sanduíches não é nenhuma atração turística, assim
como não o é destruir corais. A ferramenta do turista é a máquina fotográfica,
com ela registra recorda e preserva. Quem se dispõe a ir para lugar ermo,
selvagem e inexplorado não é turista, é cientista ou aventureiro. Para o
turista o conforto, a segurança e a praticidade são indispensáveis.
Morro de São Paulo - Bahia.
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